A VIDA DO PROFETA PADRE GIOVANNI | Por Joana Louback
1 — Introdução
A vida do Padre Giovanni Battista Lisa, foi um exemplo de doação total no servir aos mais pobres e excluídos da sociedade. Sua obra não se resumiu à construção de bairros inteiros em mutirão, garantindo moradia digna para os mais necessitados ou à criação de instituições que promoveram a organização do povo para conquista de seus direitos fundamentais, como formação profissional, trabalho e renda.
O seu maior feito se refere à formação humana das pessoas que tiveram a grata oportunidade de conviver com o mesmo e sobretudo o seu testemunho vivido com profunda coerência evangélica, unindo fé e vida, Bíblia e realidade cotidiana.
Viveu, portanto, profundamente a Teologia da Libertação e a opção preferencial pelos pobres. Foi responsável pela formação de diversas lideranças comunitárias e sociais em Teófilo Otoni e região, no campo e na cidade, militantes de uma sociedade mais justa e fraterna para todos, tendo um olhar especial e de profundo amor para com as crianças, adolescentes e jovens.
Sua fé o levou a semear a semente de uma nova sociedade, impelindo muitos, pelo seu testemunho de vida, a continuar a luta por uma sociedade mais justa e igualitária, construída por todo cidadão e cidadã, onde cada um, por mais simples que seja, tem sua importância fundamental nesta construção.
2 — Seu país
A Itália, berço do catolicismo e sede do sucessor de Pedro, é um dos 50 países do continente europeu. Pertence ao G-7 e é um dos países mais visitados do mundo, tanto por sediar o Estado do Vaticano, como pelas suas belezas naturais e pela sua gastronomia. Tem uma população de aproximadamente 58 milhões de habitantes.
3 — Sua origem, sua cidade e região
Padre Giovanni Battista Lisa nasceu em 17 de junho de 1931, na cidade de Cerezolle D’Alba, Itália e faleceu em 15 de abril de 2022, com 90 anos de idade, na cidade de Teófilo Otoni, Estado de Minas Gerais, Brasil. Teve uma origem pobre, sendo filho de marceneiro. Foi um dos oito filhos de Thomaz Lisa e Lúcia Valle, que possuíam quatro filhos homens e quatro mulheres.
Seu pai foi Prefeito da pequena cidade de Cerezolle D’Alba por três mandatos, todos voluntários como era naquela época. Apenas um de seus irmãos, o Carlo, ascendeu economicamente no ramo de marcenaria com a loja de móveis chamada Mobilli Lisa. Os outros irmãos levaram uma vida de trabalhador operário.
Seu irmão mais velho, Francesco, foi levado ao campo de concentração de Auschwitz, na segunda guerra mundial, de onde conseguiu fugir. Ele fazia parte dos partizziano, grupo de guerrilheiros que resistiram contra os alemães durante a segunda guerra. Seu pai também ia ser levado juntamente com o filho mas foi tirado da fila por um amigo que o reconheceu e o retirou do grupo.
Cerezolle D’Alba é uma pequena cidade do norte da Itália, com uma população de cerca de mil famílias, próximo da cidade de Alba, como o Distrito de Mucuri é para Teófilo Otoni. Alba é a cidade polo da região e sede da Diocese, onde Padre Giovanni fez seus estudos como seminarista e, posteriormente, atuou como reitor do mesmo Seminário.
Alba e Cerezolle D´Alba estão localizadas na região de Piemonte, norte da Itália, a qual tem Torino como a capital regional. Em Torino foi fundada a fábrica da Fiat e em Alba foi crida a fábrica de Chocolate Ferrero, onde é produzida a saborosa Nutella e o delicioso bombom Ferrero Roché, entre outros.
4 — Sua vocação
Segundo seu próprio relato, padre Giovanni dizia que sua mãe foi determinante na sua decisão de se tornar padre porque um dia ela lhe disse, com todo carinho, que ele tinha vocação. Em outro momento disse para que procurasse o padre na sua cidade, Cerezolle D’alba.
Sua mãe preparou tudo com o Padre e, quando o religioso fez o importante convite a Giovanni, não teve como não lembrar daquela afirmação da sua mãe que dizia:
“Sabe, meu filho, você tem vocação.”
E ali mesmo ele deu seu sim definitivamente para a entrada promissora na revolucionária missão de profeta da libertação, como todos entendem ter sido tão querido Padre Giovanni.
5 — Concílio Vaticano Segundo
Em Teófilo Otoni, o trabalho de Padre Giovanni, impulsionado por este fervor de organização de base e conscientização popular, teve como inspiração o Concílio Vaticano II, a Teologia da Libertação, as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e o movimento de educação popular de Paulo Freire.
Do Concílio Vaticano II nasce na Igreja latino americana uma nova exegese bíblica através da Teologia da Libertação que ilumina o fazer das igrejas locais e das comunidades que, com uma nova chave de leitura, e formas de ler a Bíblia, vai tomando consciência da situação de exclusão e miséria a que foi e está submetida a população, buscando nas Comunidades Eclesiais de Base um espaço de reflexão para iluminar a vida como um todo e assim empreender as várias formas de lutas e de combate à exclusão.
O povo que ia à Igreja para pedir a Deus soluções para os seus problemas, agora passa a entender que Deus o fortalece e o impulsiona para se tornar um protagonista do seu processo de libertação, se organizando em sindicatos, nas associações de bairro, cooperativas, mutirões para construção de moradias, promoção de direitos humanos, no combate ao analfabetismo, na luta pela terra, no movimento justiça e paz, na Pastoral da Juventude, na pastoral carcerária, pastoral do menor, pastoral operária, etc.
As comunidades, conscientes do seu lugar e do seu fazer, buscam continuamente compreender o funcionamento da sociedade através de formações sistemáticas nas mais diversas áreas, criando na época o Treinamento de Animadores Populares (TAP), que funcionava mensalmente com vários temas, bem como trazendo para palestrar, assessores nacionais, como Frei Beto, Leonardo Boff, Dom Pedro Casaldáliga, Dom Elder Câmara, Luiz Inácio Lula da Silva, entre outros.
Como um árduo estudo dos problemas sociais e políticos do Brasil e fazendo-se presente junto ao povo, o ia animando a buscar saídas para os seus problemas de forma coletiva e organizada nas várias formas de lutas já citadas.
Segundo Lenz (2012), com o Concílio Vaticano II, a Igreja sentiu a necessidade de aproximar-se do mundo numa postura de diálogo, especialmente, dos mais pobres impulsionando o povo a refletir à luz da fé a realidade e assim buscar formas de transformá-la.
A Teologia da Libertação propõe uma valorização da história, da cultura e da diversidade como formas de manifestação do encontro do homem oprimido com Deus. As raízes desta teologia encontram-se tanto num passado distante quanto num mais próximo.
Muitos de seus defensores fazem referência a Bartolomé de Las Casas, um padre espanhol que, no século 16, defendeu os povos nativos dos conquistadores, que, muitas vezes, nem os consideravam seres humanos. Las Casas arguiu com os reis espanhóis que os habitantes ameríndios da América do Sul eram humanos, e principalmente, criados à imagem de Deus, merecedores, portanto, de respeito, justiça e salvação. Bartolomé nunca dissociou a salvação da justiça social [...]. (SILVA, 2017, p. 735).
6 — Diocese sem fronteiras e os padres italianos
Dentro do espirito da Igreja em Saída, provocado pelo Concilio Vaticano Segundo, como propõe o Papa Francisco, o Centro Missionário da Diocese de Alba, cria o Projeto Diocese sem Fronteiras, liderado pelo Padre Giovanni, o qual tinha entre um dos seus objetivos enviar padres missionários para a África e América Latina.
O Padre Franco Monchiero foi o primeiro padre vindo da Diocese de Alba para a nossa recém criada Diocese de Teófilo Otoni em 1962. O Padre Giovanni foi o último dos padres desta fase a vir para o Brasil, chegando numa sexta-feira santa de 1977.
E, por razões insondáveis, porém compreensíveis do ponto de vista da fé, ele partiu para o descanso eterno exatamente numa sexta-feira santa do presente ano de 2022.
7 — A Teologia da Libertação
A Fundação do Partido dos Trabalhadores, de vários sindicatos, movimentos populares e comunidades eclesiais de base, a qualquer momento em que for feita a memória histórica, o Padre Giovanni entrará como o principal protagonista. Foi um verdadeiro pescador de homens (e mulheres), no mais profundo sentido evangélico.
Através da sua vocação missionária demonstrou total compreensão de seu lugar no discipulado de Jesus Cristo ao aceitar plenamente Seu chamado e envio, contido nas seguintes palavras:
“Ide ao mundo inteiro e anunciai a Boa Nova do Reino a toda criatura”.
O Padre Giovanni foi referência para a fundação de diversas instituições em Teófilo Otoni, como Casa Nazaré, criada pela amiga italiana Ana Maria Poggio, importante instituição de assistência social e educacional a crianças e adolescentes na Zona Sul de Teófilo Otoni; entidade O Ninho, conhecida como Creche Ninho ou Casa das Meninas, fundada pela saudosa freira Irmã Zoé da Cunha Menezes, no mesmo período da APJ; AMCA - Apoio à Mulher, Criança e ao Adolescente, entidade muito bem cuidada pelos queridos amigos, o casal Janice de Franz.
A partir do Concílio Vaticano II, as Conferências de Puebla e Medelin, a Teologia da Libertação marcou definitivamente o ser e o fazer do Padre Giovanni que, a partir de seu corpo, mente e alma, fez de Teófilo Otoni uma referência de uma igreja onde a fé e a vida caminhavam de mãos dadas, na certeza de que a Justiça e a Paz se abraçarão, como rezam os Salmos 85 e 106.
8 — Teófilo Otoni e a Igreja Libertadora
A Diocese de Teófilo Otoni foi apelidada pelos agentes da ditadura militar de melancia, por ser verde por fora e vermelha por dentro, informação revelada pelo líder comunitário popularmente conhecido por Seu Joaquin de Poté, que chegou a ser levado por policiais, do regime militar, para ser preso em Governador Valadares, mas resgatado juntamente com outros presos políticos pelo então Bispo Diocesano Dom Quirino, o primeiro da Diocese.
Dom Quirino era considerado um Bispo avançado, do ponto de vista das causas populares e de profundo amor a Igreja. Corajosamente resgatou dos das mãos dos militares, os líderes que constantemente eram torturados ou mortos, como aconteceu com o Sr. Tim Garrocho, um dos membros do grupo dos 11, torturado pelos militares.
As Comunidades Eclesiais de Base espalharam-se por toda a Diocese, fruto desta proposta de igreja libertadora, onde os olhos do povo iam se abrindo, nascendo daí o primeiro Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Minas Gerais e os vários sindicatos das mais variadas categorias.
No vizinho Município de Poté nasceram as Ligas Camponesas. Em Teófilo Otoni surgiu a Casa dos Movimentos Populares, onde logo funcionou o Comitê Popular das Associações dos Bairros.
A primeira ocupação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, MST, em minas Gerais que, movidos pelo espirito profético do Livro do Êxodo, que diz:
“Eu vi a miséria do meu povo, escutei os seus clamores e desci para libertá-los e levá-los para uma terra onde jorra leite e mel.”
Através da leitura orante da Bíblia, o povo ia se organizando, se tornando povo coletivo, rezando e lutando para transformar a realidade. Uma igreja povo que se organiza, gente oprimida buscando a libertação, como diz a canção de Zé Vicente. Todo esse movimento tinha como principal liderança o Padre Giovanni.
Êxodo, capítulo 3, versículos 7–10
7 Disse o Senhor: "De fato tenho visto a opressão sobre o meu povo no Egito, tenho escutado o seu clamor, por causa dos seus feitores, e sei quanto eles estão sofrendo.
8 Por isso desci para livrá-los das mãos dos egípcios e tirá-los daqui para uma terra boa e vasta, onde há leite e mel com fartura: a terra dos cananeus, dos hititas, dos amorreus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus.
9 Pois agora o clamor dos israelitas chegou a mim, e tenho visto como os egípcios os oprimem.
10 Vá, pois, agora; eu o envio ao faraó para tirar do Egito o meu povo, os israelitas".
9 — Seu legado
Sua coerência e seu profetismo foram testemunhados até no seu testamento e no dia da sua passagem, acontecida em 15/04/2022, Sexta-feira da Paixão, e seu sepultamento no Cemitério Pindorama, símbolo da divisão de classes e exclusão social, motivo pelo qual escolheu selar para sempre seu amor filial ao Pai e seu compromisso e comprometimento com uma vida pobre com os pobres e para os pobres.
Testamento
“Declaro que, a partir de um fato acontecido na minha vida, quando era um dia de chuva e eu participava do enterro de uma pobre mulher no primeiro Cemitério Pindorama, determinei que o lugar da minha sepultura deverá ser aquele cemitério, popularmente chamado de Pindorama.
Assim declarei também ao nosso Bispo de então. Peço por favor que o túmulo seja somente de terra sem outra ornamentação a não ser uma simples cruz de madeira. Obrigado!
Em comunhão fraterna de oração e de coração.
Teófilo Otoni, 11-03-2003, tempo de Quaresma, preparando a Páscoa.”
Giovanni Batista Lisa.
10 — Conclusão
Em Teófilo Otoni, o Padre Giovanni deixou algumas marcas das quais ninguém poderá apropriar-se, esconder, silenciar ou negar:
1. A Associação Aprender Produzir Juntos - APJ, entidade de fomento ao associativismo, cooperativismo, economia popular solidária, educação profissional e para a cidadania, criada por ele em 08 de julho de 1984, hoje a principal referencia nas citadas áreas, em nossa cidade e região, bem como no Estado de Minas Gerais.
2. Os bairros Vila Esperança, Taquara, São Benedito e Paulo Freire, construídos em mutirão, através da campanha dos 50 alqueires, na década de 80, sendo este último, feito a aquisição do terreno na época e construído por meio de políticas públicas de moradias populares no Governo do Presidente Lula em parceria com o Governo Municipal da saudosa Prefeita Maria josé Haueisen Freire, que preparou o terreno já adquirido pelo Padre Giovanni em nome do Comitê Popular das Associações dos Bairros.
3. A fundação do Partido dos Trabalhadores, de vários sindicatos, movimentos populares e comunidades eclesiais de base.
4. Era um período em que a Igreja italiana começava a enfraquecer-se e, segundo seu relato, quando decidiu vir para o Brasil, ao comunicar ao Bispo da Diocese de Alba, este levantou-se da sua cadeira e deu-lhe um forte abraço dizendo: te agradeço, te agradeço!
Então ele sai da Itália e vem fazer uma revolução que marcou profundamente nossa cidade, nossa igreja e o nosso povo. Dá para imaginar qual seria o destino de Teófilo Otoni sem este conjunto de entidades, sindicatos e organizações sociais que o Padre Giovanni criou ou inspirou?
Fruto desse conjunto de lutas e organizações este Município elegeu a primeira mulher prefeita e o prefeito mais jovem de Minas Gerais. Os padres italianos marcaram e determinaram definitivamente a vida e a história da nossa cidade e região.
Padre Giovanni vive
nas lutas do seu povo!
11 — Referências bibliográficas
Caderno Encantar a Política, Brasil, 2022. Conselho Nacional do Laicato do Brasil
www.cnlb.org.br
Comunidades Eclesiais de Base. https://cebsdobrasil.org.br
Movimento Nacional Fé e Política. www.fepolitica.org.br
Bíblia Sagrada, Edição Pastoral, Êxodo 3, 7-10.
Bíblia Sagrada, Edição Pastoral, O Livro dos Salmos, Cap. 85 e 106.
Documentos da Igreja Católica sobre o Concílio Vaticano II, Conferências de Puebla e Medelin.
12 — Anexos
Anexo 1 — Mensagem dos 80 anos
Quando o Padre Giovanni completou 80 anos de idade.
Querido Mestre, irmão e amigo Padre Giovanni
Hoje estamos celebrando a festa dos 80, amanhã queremos celebrar a festa dos 100!
Sua presença de pastor na vida de cada um de nós e nesta comunidade de Teófilo Otoni trouxe luz, força, coragem e sabor às nossas vidas.
Você, como profeta do desbravamento, entrou de peito aberto na mata virgem de uma Diocese recém criada e começou a gritar a pulmões cheios:
“Eu vim para que todos tenham vida! Vocês são o sal da terra e a luz do mundo! Por que vocês estão procurando entre os mortos aquele que está vivo? Ele não está aqui! Ressuscitou! O espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a boa notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor.”
Sim, Pe. Giovanni, isto está e sempre esteve escrito na Bíblia. Nós a líamos, mas ficávamos como que cegos, surdos e mudos. Ir à Igreja não tinha nenhuma consequência prática e sempre aceitamos a injustiça como fato consumado entre os homens.
E o único destino dos pobres, era aceitar as migalhas que caíam da mesa dos ricos. Todos estávamos convencidos de que ir à missa, batizar, crismar, consagrar e fazer caridade era a máxima do ser cristão. Você veio e nos abriu a Bíblia do Gênesis ao Apocalipse. Fomos, portanto, descobrindo que ser cristão é muito mais que isso.
Por onde você passou e passa como padre, não consegue pastorear de outro modo senão daquele que está escrito na Bíblia. Você é como São Francisco, que dizia que a Bíblia não precisa de explicação. Porque quando o fazemos o adaptamos ao nosso gosto e sabor, deturpando-a para fazer a nossa e não a vontade de Deus! Você é o Pastor do Evangelho puro.
Você como cristão, é profeta! Como pessoa, é amável e dócil! Como pensador, profundo e provocador! Como padre, um verdadeiro e raro pastor! Como líder, aquele que agrega, que encoraja, que instiga, que faz andar com as próprias pernas! Como amigo, aquele de toda e qualquer hora! Com você o fardo fica suave e leve!
O seu amor pelos pobres nos envergonha ao confrontá-lo com o nosso! O beijo e o abraço que você dá no mendigo, nos choca! A sua gratuidade nos sensibiliza! Os seus sacramentos nos transfiguram! O seu testemunho nos alimenta!
Você foi e será sempre, Pe. Giovanni, sinal de contradição. Você foi e será sempre o nosso profeta da libertação!
Parabéns pelos seus 80 anos de vida!
Muito obrigada!
Felicidade hoje e sempre!
Teófilo Otoni, 17 de junho de 2011.
Joana Alves Louback

Comentários
Postar um comentário